
O Centro de Imagens Antônio Joaquim da Cunha, em Tuntum, Maranhão, tornou-se palco de uma crise que ameaça paralisar um dos serviços essenciais à população local. Funcionários denunciam estar há quatro meses sem receber salários e, diante do silêncio da administração, cogitam entrar em greve a qualquer momento. O drama vivido pelos trabalhadores escancara não apenas a precarização das relações de trabalho no serviço público, mas também a fragilidade de um sistema de saúde já combalido.
“Já procurei o Junior Pop, que é o responsável por pagar os funcionários, e o mesmo não responde. Estou com conta de energia e água atrasada, fico com medo de que o fornecimento seja suspenso”, relata um funcionário identificado apenas pelas iniciais E.M., que pediu anonimato por temer represálias. O depoimento, carregado de angústia, revela o abismo entre a administração do centro e aqueles que garantem seu funcionamento diário.
Segundo apuração, o atraso salarial afeta vários profissionais, alguns dos quais já pediram desligamento por não suportarem mais a situação. “Não aguento mais o liseu”, desabafa outro trabalhador, referindo-se ao estado de penúria em que se encontram. A debandada de funcionários ameaça comprometer ainda mais o atendimento à população, que depende do centro para exames e diagnósticos médicos.
O Centro de Imagens é controlado pelo ex-prefeito de Tuntum, Cleomar Tema Cunha, figura política de destaque no município. No entanto, a gestão atual parece incapaz de dar respostas concretas aos funcionários e à sociedade. O responsável pelo pagamento, Junior Pop, foi procurado diversas vezes, mas não se manifestou sobre o caso.
A situação dos trabalhadores do Centro de Imagens não é um caso isolado. Em várias cidades do interior do Maranhão, atrasos salariais e condições precárias de trabalho têm sido recorrentes no setor público, especialmente na saúde. O que se vê em Tuntum é o retrato de um modelo de gestão que trata servidores como peças descartáveis, ignorando o impacto humano e social dessa negligência.
A ameaça de greve é legítima e, neste contexto, surge como último recurso de quem já tentou todas as vias possíveis de diálogo. O risco de paralisação, porém, não atinge apenas os funcionários, mas toda a população que depende do serviço para ter acesso a exames e diagnósticos. O colapso do atendimento pode agravar ainda mais a crise sanitária no município.
Diante desse cenário, é urgente que o poder público municipal se manifeste e apresente soluções concretas. O silêncio e a omissão só aumentam a sensação de abandono e revolta entre trabalhadores e usuários do sistema. O Ministério Público e órgãos de controle precisam ser acionados para garantir o cumprimento dos direitos trabalhistas e a continuidade dos serviços essenciais.
A crise no Centro de Imagens de Tuntum é um alerta para todo o Maranhão. Não se trata apenas de salários atrasados, mas de dignidade, respeito e responsabilidade com a vida das pessoas. A sociedade não pode aceitar que a saúde pública seja tratada com descaso e improviso. É hora de cobrar respostas e exigir mudanças.
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