O Ministério Público do Maranhão (MPMA) emitiu excertos recomendatórios contundentes contra a prática de nepotismo na Prefeitura de Dom Pedro, exigindo medidas imediatas para eliminar nomeações baseadas em vínculo familiar e sem a devida qualificação técnica. A advertência está fundamentada na Súmula Vinculante nº 13 do Supremo Tribunal Federal (STF), que proíbe expressamente a nomeação de cônjuges, parentes até terceiro grau e afins para cargos comissionados, função gratificada ou de confiança.
Segundo levantamento do MP, o prefeito Ailton Mota dos Santos nomeou filhos e sobrinhos para secretarias municipais importantes, como Saúde, Finanças, Cultura e Assistência Social, sem comprovação da capacidade técnica necessária, configurando uma clara afronta aos princípios constitucionais da legalidade, moralidade, impessoalidade e eficiência. O órgão ministerial destaca que esse tipo de prática não só vicia os atos da administração pública, como representa ato de improbidade administrativa passível de sanções severas.
Entre as medidas recomendadas, está a exoneração imediata, no prazo improrrogável de 20 dias, de todos os servidores em cargos comissionados que estejam em situação de nepotismo, incluindo casos de nepotismo cruzado ou diagonal, além da rescisão ou descadastramento de contratos irregulares. O MP também determina a rápida comprovação da qualificação técnica dos secretários municipais e avisa que o não cumprimento da recomendação poderá resultar em ações judiciais.
Esta intervenção evidencia uma crise na gestão pública local, marcada por favorecimentos familiares que ferem a ética administrativa e prejudicam a eficiência do serviço público. Ainda que haja quem tente relativizar o alcance das restrições a cargos políticos, o entendimento do STF, reforçado pelo MP, reafirma a necessidade de rigor e transparência em todas as nomeações, protegendo o interesse público de influências pessoais e nepotistas.
O prazo final para o município informar as providências adotadas é de 30 dias, caso contrário, a Promotoria promete agir com sanções judicialmente previstas, na tentativa de pôr fim a um costume que mina a confiança no Poder Público e a própria democratização da gestão municipal.
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