Segundo o governo estadual, 42 tinham mandados de prisão em aberto e ao menos 78 possuíam histórico criminal — número que pode aumentar conforme chegam novas informações de outros estados.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro confirmou, nesta sexta-feira (31), a identificação de 99 pessoas mortas durante a Operação Contenção, deflagrada na última terça-feira (28) nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte da capital.
Segundo o governo estadual, 42 tinham mandados de prisão em aberto e ao menos 78 possuíam histórico criminal — número que pode aumentar conforme chegam novas informações de outros estados.
O levantamento foi apresentado em coletiva na Cidade da Polícia. De acordo com o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, os complexos funcionavam como quartéis-generais do Comando Vermelho, abrigando centros de comando, treinamento e distribuição de drogas e armas.
“As evidências mostram que nessas comunidades eram realizados treinamentos de tiro, táticas de guerrilha e manuseio de armamentos. Dali partiam as ordens para a expansão da facção em outros estados”, disse Curi.
A investigação constatou que parte dos mortos era de fora do Rio. Foram identificados 13 suspeitos do Pará, sete do Amazonas, seis da Bahia, quatro do Ceará, quatro de Goiás, três do Espírito Santo, um da Paraíba e um do Mato Grosso.
“O trabalho de inteligência foi preciso e mostra o alcance nacional do crime organizado. Reforço a importância da integração com outros estados”, afirmou o governador Cláudio Castro (PL).
Segundo a Polícia Civil, o fluxo de caixa da facção nos complexos da Penha e do Alemão movimentava cerca de 10 toneladas de drogas e 50 fuzis por mês.
Essas áreas abasteciam 24 comunidades do Rio, incluindo o Salgueiro, a Rocinha, a Maré, o Jacarezinho e o Complexo do Lins.
“Foi um trabalho expressivo. Identificamos 99 narcoterroristas e levantamos seus históricos criminais em tempo recorde”, acrescentou Curi.
A Operação Contenção faz parte de um plano permanente de enfrentamento ao Comando Vermelho, segundo o secretário.
Fases anteriores resultaram na prisão de ex-policiais que treinavam traficantes, na apreensão de mais de 200 armas — a maioria fuzis — e no bloqueio de R$ 6 bilhões ligados à organização.
“A Operação Contenção não se resume a esta ação, mas a uma série de medidas integradas de combate à expansão da facção”, completou Curi.
Ao todo, 117 pessoas foram mortas na operação. Todos os corpos foram periciados em ação conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público.
Até agora, 89 já foram liberados para as famílias. Um relatório de inteligência com a qualificação dos mortos será entregue às autoridades.
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