Agência Assembleia
O programa Toda Mulher, exibido pela TV Assembleia nesta quarta-feira (25), abordou um tema urgente e cada vez mais presente no cotidiano: a misoginia digital e seus impactos na vida das mulheres. Com uma abordagem direta e reflexiva, a edição destacou como discursos de ódio, muitas vezes iniciados em ambientes virtuais, podem evoluir para diferentes formas de violência.
Para aprofundar o debate, o programa contou com a participação da advogada Carol Castro, membro da Comissão de Direito Digital da OAB, e da psicóloga Ana Karoline, especialista em Psicologia Organizacional e Social. As convidadas discutiram as origens desses comportamentos, suas consequências e formas de enfrentamento.
A entrevista, intermediada pela apresentadora Márcia Carvalho, alertou que a violência contra a mulher nem sempre começa de forma explícita. “Às vezes, começa com uma palavra, um comentário ou uma ideia repetida diversas vezes”, pontuou a apresentadora, ao destacar o crescimento de comunidades online que reforçam discursos misóginos, como os chamados grupos “redpill” e “incel”.
Durante a entrevista, a psicóloga Ana Karoline destacou o papel da educação e da vigilância no ambiente familiar, especialmente diante do acesso precoce de crianças e adolescentes às redes sociais. Segundo ela, é fundamental que responsáveis acompanhem de perto o conteúdo consumido pelos jovens. “A conversa é essencial. É preciso entender o que está sendo absorvido e orientar para que não se normalize atitudes abusivas”, afirmou.
A especialista também orientou que mulheres e adolescentes vítimas de misoginia não devem silenciar diante das agressões. “Ao perceber comentários ofensivos, é importante não normalizar e denunciar. No caso de menores, o diálogo com a família é indispensável”, reforçou.
Violências de gênero
Já a advogada Carol Castro ressaltou que a violência de gênero costuma se manifestar inicialmente de forma sutil, evoluindo gradativamente. “Quando vemos casos de feminicídio nas notícias, é importante lembrar que tal crime é resultado de uma série de ações abusivas como: a violência psicológica, verbal e digital”, explicou.
Ela também chamou atenção para o papel da mídia e da informação no combate a esse tipo de violência. “Uma das formas mais eficazes de enfrentamento é o acesso à informação. As mulheres precisam saber onde buscar ajuda, seja na Procuradoria da Mulher, no Ministério Público ou em delegacias especializadas”, destacou.
Ao longo da edição, o ‘Toda Mulher’ evidenciou que a misoginia digital não é um fenômeno isolado, mas parte de uma estrutura mais ampla que perpetua desigualdades de gênero. O programa vai ao ar todas as quartas-feiras, às 15h, pela TV Assembleia do Maranhão, com reprises na programação e exibição também pelo canal oficial no YouTube.