SÃO LUÍS – No fascinante ecossistema da política maranhense, existe uma espécie rara de "palavra" que vem com data de validade mais curta que iogurte no sol. O grande entusiasta dessa modalidade é o deputado federal Paulo Marinho Júnior, que acaba de atualizar seu status de "parceiro fiel" para "mestre do descarte seletivo".
A vítima da vez — ou melhor, o "ex-amigo de infância política" — é Gleydson Resende. O ex-prefeito de Barão de Grajaú descobriu, da pior forma possível, que sua pré-candidatura a deputado estadual tinha a mesma solidez de um castelo de areia na maré cheia. O acordo, que antes era selado com sorrisos e apertos de mão (e que incluía até o deputado Catulé Júnior no pacote), foi devidamente enviado para a lixeira do gabinete sem direito a "recuperar arquivos".
Dizem as más línguas — ou apenas as fontes bem informadas da capital — que Paulo Marinho Jr. não apenas jogou o combinado no lixo, como já arrumou um novo "crush" político: Júlio Filho, vindo diretamente das articulações de São José de Ribamar.
Mas engana-se quem acha que Paulinho tomou essa decisão sozinho, movido por uma súbita epifania estratégica. O roteiro, ao que tudo indica, foi escrito com a "digital" inconfundível de seu padrinho, o deputado Josimar de Maranhãozinho. Onde o mestre manda, o pupilo não apenas obedece, como executa a troca de aliados com a frieza de quem troca de camisa após um treino na academia.
Enquanto isso, Gleydson Resende segue no grupo dos que "acreditaram no Papai Noel". Ele agora amarga o prejuízo de ter confiado em um aperto de mão que, na prática, valia tanto quanto uma nota de três reais.
Fica a lição para os próximos pretendentes: na agenda de Paulo Marinho Jr., o compromisso de hoje é a nota de rodapé de amanhã. Afinal, por que manter a palavra quando se pode manter a obediência ao comando superior?