A soberba política costuma cobrar um preço alto, e o ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide, parece determinado a pagar o valor máximo. Ao adotar a postura de "intocável", Braide sabota a própria pré-candidatura ao Governo do Estado. Ele consegue a proeza de afastar, por pura falta de diálogo, aliados e apoiadores que antes imploravam para entrar no seu projeto.
O desgaste não é apenas visível; é um processo acelerado de autofagia política. Relatos que chegam de várias regiões do Maranhão expõem o verdadeiro muro burocrático construído ao redor do ex-prefeito. Ex-prefeitos, vereadores e lideranças municipais de relevância — a chamada "segunda força" das cidades — tentaram estabelecer canais de comunicação com o pré-candidato. Receberam em troca o silêncio obsequioso e o desprezo de quem ignora que eleições estaduais se vencem somando forças, não subtraindo.
O erro de Braide beira o amadorismo estratégico. Movimentos espontâneos no interior, formados por grupos que estavam dispostos a marchar ao seu lado "de graça" — sem as tradicionais exigências de cargos ou estruturas financeiras —, simplesmente congelaram. O desânimo sufocou o entusiasmo inicial. Ninguém aceita ser ignorado por quem amanhã baterá à sua porta pedindo votos.
A crise de relacionamento é tão crônica que contamina o próprio núcleo duro da pré-campanha. Integrantes da equipe técnica e política relatam, sob reserva, o mesmo absurdo: trabalham no projeto, mas não têm acesso ao líder. Braide comanda no isolamento, cego para o fato de que a política é, por excelência, a arte da articulação.
Nos bastidores da política maranhense, o veredito é unânime: esse isolamento deliberado é um passaporte para o fracasso. Desprezar as lideranças municipais em um estado com a complexidade geográfica e política do Maranhão é um suicídio eleitoral anunciado. O resultado prático está aí: debandadas semanais e grupos abandonando o barco antes mesmo de ele zarpar.
Como observador e jornalista, é impossível não registrar a gravidade do momento. O delírio da autossuficiência destrói campanhas promissoras. Fica o questionamento inevitável: como alguém pretende governar um estado fingindo que a classe política não existe? Braide precisa entender, urgentemente, que ninguém vence sozinho. Sem grupo e sem diálogo, seu projeto de poder não passa de uma ilusão destinada às urnas vazias.